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Poemas desiludidos |
Estes poemas foram escritos entre 1996 e 2000. Época na qual eu era graduando de Física Computacional na USP de São Carlos. Nesta época eu vivia uma fase de amores, paixão e pessimismo intenso.
Lembranças.
Cada vez que me embrenho no passado
meus desejos me trucidam com violência.
Busco-te sempre, sem encontrar-te nunca.
Topo em todas as partes com a tua imagem,
com a tua voz e com o teu cheiro,
mas são apenas amargas recordações.
Recordações da perdida felicidade.
Num relance me vejo no lugar onde
pela primeira vez de minha vida te apertei,
te apalpei e te senti,
quanto deleite e felicidade minha imaginação
me ofereceu naquele momento.
Momento em que te contemplava na simplicidade.
Em que encantos teus te expuseram aos meus olhos.
Sim, confesso-te que uma paixão,
mais forte ainda que a ambição
me inspirou o desejo de te amar.
Via-te pouco a pouco ser senhora
do meu coração.
Foi completo o teu triunfo.
E tudo a meu redor deixou de ser importante.
Tu te tornaste a prioridade única.
Dei-lhe tantas provas de amor, mas tudo em vão.
Tudo se esvaiu no ar;
tudo como uma pedra afundou no mar.
Tantos suspiros, à noite, que não foram ouvidos.
Tantas lágrimas, ao chão, que não foram enxugadas.
Apenas restou a dor e o sofrimento.
O amor agora se alimenta da minha solidão.
E me alimento de lembranças e de um
restinho de esperança.
O
Homem e a Ideologia
Quando o homem tem sua própria ideologia,
tranca-se em seu mundo,
vive e se alimenta de si mesmo.
Na solidão encontra o alento e a compreensão.
Quando o homem tem o seu mundo
confronta-se de frente com o mundo
numa guerra fatal e sangrenta.
Cansa-se o homem da guerra,
retira-se calado para o seu mundo.
Quando o homem retorna para o seu mundo,
o mundo dos outros o chamam “vencido”,
mas homem é forte e vive.
Muda o mundo do seu próprio mundo.
Ousa mudar o mundo dos outros.
Quando a ideologia tem o homem
perde o ser a sua identidade,
pensa como todos pensam,
age como todos agem
e vive como todos vivem.
Homem sem personalidade.
Quando o homem tem a ideologia.
Homem tem o seu mundo.
Homem tem o poder de mudar.
Homem direciona outros homens,
outros mundos.
Homens sem ideologia estão condenados
a serem dominados, pisoteados, humilhados
e destruídos por homens que tem sua própria ideologia.
Tomando chá
Convido-te a tomar chá.
Não um chá comum,
mas chá feito de homens
e servidos em xícaras feitas de homens.
Humanos que se enclausuram em xícaras.
Humanos que se fundem em chá.
Humanos que se adaptam a quaisquer formas.
Todo homem deve ser chá.
Homens xícaras sucumbem no chão.
Xícaras caem e desaparecem.
Homens xícaras existem enquanto vivem.
Homens chá vivem eternamente.
Tornam-se imortais por si mesmos.
Homens chá caem e tomam nova forma,
jamais se quebram, jamais desaparecem.
Se adaptam aos extremos da vida,
a ausência de amigos, a ausência do amor.
Vivem a eterna solidão,
e nela se imortalizam.
Homens, jamais sejam xícaras de chá.
Homens, tenham sempre conteúdo,
sejam chá por toda a vida.
Tomem a forma de onde existem.
Vivam eternamente.
A
beleza humana
Sinto pena das pessoas belas.
Pessoas excessivamente bonitas
que não buscam a sabedoria, o conhecimento.
Pessoas com poder, com o dinheiro.
O seu reinado é curto.
O seu dinheiro acaba.
Os anos transformam a sua beleza.
A pele começa a enrugar. Os amigos fogem.
Os sorrisos desaparecem.
As flores murcham.
Os rostos se desviam dos beijos.
Da beleza, apenas fotografias.
Ninguém mais se lembrará delas.
A história não imortaliza os que são belos.
A formosura é efêmera, é curta, é ilusão, é aparência.
Os anos renegam os belos ao silêncio da velhice.
Humanos se imortalizam pelo intelecto.
A sabedoria, a inteligência concede aos seres
o mais longo dos reinados. O reinado eterno.
Homens e mulheres são lembrados por seu raciocínio,
pelo avanço que fizeram.
Homens e mulheres que são seguidos por milhões,
que são requisitados por seus governos,
que são venerados por seus amigos,
que são respeitados e temidos por seus inimigos.
Humanos que jamais estarão só,
mesmo com o rosto enrugado,
com os sorrisos atrofiados,
com as flores murchas.
Sempre a seu lado haverá outros humanos
que buscam conhecimento, que querem aprender.
O intelecto imortaliza.
Amor,
infinito amor
Por todos esses dias,
cada noite, todas as noites;
cada instante, todos os instantes,
desde o dia em que vi os teus olhos,
que senti o sabor do teu sorriso
e o perfume do teu corpo
é que te amo intensamente. E repito:
te amo loucamente,
com muito orgulho, com muito respeito,
com muita dedicação.
Amo-te simplesmente por amar.
Simplesmente por você me completar,
fazer-me ver o dia mais bonito,
fazer-me sorrir, dar-me felicidade.
Amo-te por tudo aquilo que há submerso
no teu coração, dentro de ti.
E há de ver que por te amar assim
é que te sinto e contemplo através da tua pele,
através do teu rosto.
Admiro os teus olhos, a tua boca, o teu ser.
Amo-te pelo teu caráter, pelo teu viver,
pelo teu falar, pelo teu olhar,
pela tua radicalidade e timidez.
Amo-te com amor eterno .
Amor que o tempo não corroerá,
por não se fundamentar na tua aparência.
A aparência os anos tiram,
a pele enruga, os sorrisos desaparecem,
as flores murcham e os rostos se desviam dos beijos.
Mas o amor verdadeiro,
o amor pela alma subsiste.
Resiste às tempestades, aos ataques e às intempéries.
O amor que se torna eterno,
assim como é eterno o que há dentro de nós.
E de tudo isso nenhuma honra, nenhuma compaixão,
nada, a não ser isso. A não ser amor.
puro e simples amor.
Amor
sem fim
Amor, eterno amor romântico,
que foge para as alturas,
que se retira dentre os humanos,
que sorrateiramente, na calada da noite,
abandona os corações amantes.
Amor que deixa o homem no vazio,
que faz do homem, cada vez mais homem,
um ser cada vez mais fera, mais instintivo,
mais sem amor.
Amor, eterno amor com ritual,
que tem por finalidade única gerar
amor em outro coração.
Amor que nasce assim, cheio de ritos;
é mais amor, é mais verdade, é mais
emoção.
Ritual do amor romântico,
ritual de conquista, de flores,
de poemas, de dedicação.
Ritos de amor, uma coisa a muito
esquecida por seus homens.
Talvez por ser estranho,
talvez por findar em dor,
em solidão, em nada.
A
grande tentação
Meu espírito é tentado constantemente.
Já não encontro mais paz em lugar algum.
Minha alma tornou-se dependente de ti.
Mulher, tu és minha grande tentação.
Sou tentado por este teu corpo que induz
todo homem ao pecado.
Pecado de querer tê-lo, de senti-lo, de sugá-lo
em toda a sua plenitude.
Pecado de querer amá-lo, eternamente,
ou enquanto durar o fogo da vida.
A cada instante sou tentado por este teu rosto.
Por este rosto límpido,
sem aquela máscara de burguesa,
mas com aquela olhar altivo,
com aquela expressão de radical de mentirinha.
Sou tentado por aquele beijo tão sonhado.
Beijo que escondeste e me negaste.
Não aquele beijo perfeito.
Não aquele beijo falso, cinematográfico, ideal.
Mas aquele beijo espontâneo e puro.
Aquele beijo imperfeito que todos sabem dar.
Mas poucos sabem sentir e entender o valor que tem.
Mulher, és a maior tentação
que um homem pode ter.
Nem Adão, nem César,
nenhum homem conseguiu e
e nem conseguirá te derrotar.
Da vida...e
do amor
E da vida vivi a melhor porção,
fui o que sempre quis ser,
fiz o que sempre quis fazer.
Não segui a ninguém,
mas apenas a mim.
E do amor bebi no melhor cálice,
embriaguei no mais puro sentimento,
ousei amar a mulher mais bela,
a musa dourada que via em meus sonhos.
E da vida vivi a pior parte,
fui o que nunca quis ser,
fiz o que jamais quis fazer.
Segui a todos, nunca segui a mim.
E do amor tive o cálice de fel.
Senti a mais terrível das dores.
Ousei amar a mulher errada,
a deusa dourada que não via nos sonhos.
Fui o que sempre quis ser e o que nunca quis ser.
Fiz o que sempre quis, fiz o que jamais deveria fazer.
Não segui a ninguém e segui a todos.
Fui seguidor de mim mesmo e jamais segui a mim.
E do amor tive o cálice mais doce e bebi do cálice de fel.
Senti o que há de mais puro e de mais doloroso.
Amei mulheres belas, e a mulheres erradas.
Deleitei-me na amada dos sonhos,
sofri por outras que não eram nada.
E na vida fui humano,
tão humano quanto os outros.
Fui perfeito e imperfeito.
Bom e ruim.
E no amor fui desgraçado,
como todos os homens.
Cada olhar teu martiriza todo o meu ser,
o teu rosto, cada dia, torna-se mais distante.
e como um balão que sobe te vejo fugir de mim.
Corro alucinado por seus momentos e instantes da vida.
Busco sugar toda a essência do teu olhar.
Mas eu me perco nas trilhas do teu corpo.
Choro desesperado sem te encontrar.
São prantos que caem silenciosamente
quando eu te vejo na face da noite.
Tornei-me dependente do teu jeito ingênuo.
Desperdicei o teu charme ao luar.
Ousei cair doente pelo teu corpo
e na tua alma ousei atar a minha.
Perdidamente apaixonado pelo teu ser
senti-me cansado de mim.
Mas falhei em conhecer todos os teus sonhos.
todos os teus desejos, todos os teus medos
e todas as tuas renuncias.
Falhei em te conhecer intimamente,
em compartilhar contigo os mais recônditos segredos.
Lamento-me por encontrar a mais bela da terra,
a mulher dos sonhos e não tê-la tocado.
Lágrimas por não ter sido seu eterno escravo.
Mas o que será do amanhã quando ver o sol,
as árvores e tudo, menos o teu olhar?
Quando ouvir a voz do vento e não ouvir a tua?
Quando sentir o frio da noite e não te sentir?
Não. Não haverá amanhã se nele você,
o meu eterno sol, não brilhar.
Estrangeiro
E cada dia se tornava mais estranho,
mais irreconhecível, mais intangível.
E o dia se fez estranho
e todas as coisas se tornaram irreconhecível.
houve excesso de melancolia
perante o mundo, diante do homem.
E o mundo se fez estranho,
o homem perdeu a sua identidade
e a vida se tornou um fardo
e se cansou da vida,
cansou-se de si mesmo
e quis por fim a vida.
Buscou compreensão no silêncio,
ouviu apenas uma voz de dor,
e teve medo.
Temeu a voz do silêncio
e quis fugir da solidão.
E cada dia fez de si uma pessoa adversa.
Desconhecido da realidade
e quis ser diferente
e se tornou estranho.
O
espelho
No espelho há uma imagem refletida,
no peito um coração disparado,
no rosto um rubor desconhecido,
na alma um olhar triste,
um olhar desejante.
E tudo é abocanhado pela noite.
No espelho a imagem não mais refletida.
O peito se enche de um gosto amargo.
O rosto se funde numa cascata de lágrimas.
a alma sofre um aborto delirante.
E uma força conduz o espírito,
faze-lo desafiar o obscuro,
o dissimulado, o ausente.
Mas o espaço restringe todo o caminho.
Mostra o grande poder que há para descobrir
e a grande impotência em realizar.
De todos os espelhos as imagens desaparecem.
Jamais haverá aquela imagem refletida.
A alma, em pedaços, cai incompreendida,
funde-se num coração desesperado.
Num rosto sofrido e atormentado.
Num monstro que se esgueira pela noite.
Numa descoberta sem vida.
Desconhecida
Por trás de uma moita há espreita,
no caminho há uma desconhecida.
Devagar, sem dizer nada, pare.
E a história repete a si mesma.
Há no ar um cheiro de coisa nova.
De olhos ainda virgens para o poema.
De versos desesperados,
de flores murchas em vasos quebrados.
Há uma desconhecida
que veio do deserto.
mas a noite se clareou
e ela se traiu.
Chamem os poetas a seus postos.
O mundo do poema é invadido
por novos olhos, nova boca, novo corpo.
Por um sorriso ainda virgem,
por jeito ainda terno.
Denunciem a sua beleza ao mundo.
Cantem sua voz ao vento.
declamem seu nome ao luar.
E de tanto
sonhar
E de tanto sonhar
pensou que a vida era sonho
e achou graça ao viver
e entendeu o seu caminho.
E ousou.
Ousou viver ainda mais.
E de tanto sonhar
confundiu o dia com o mar;
misturou o amor com o sonho.
E se fez forte.
E lutou com as palavras.
E se aproximou.
e ousou tocá-la, senti-la,
amá-la ainda mais.
E amou.
de tanto sonhar
achou que tudo era possível.
Tornou se seguro na vida.
superou todo o teu ser.
E se fez ainda mais forte.
Ainda mais sábio.
E ousou lutar
e venceu.
E de tanto sonhar
pensou que ainda poderia mais.
E impôs a si mesmo a felicidade.
E percebeu que era feliz.
E se lembrou de que tudo era sonho
e não quis mais acordar.
E agarrou a si mesmo.
Não quis mais acordar.
E de tanto sonhar
achou que a vida era sonho.
E por ser apenas um sonho
ousou viver.
E viveu.
O
realista
Seja realista por toda a vida.
Não sonhe.
É proibido sonhar.
Quem sonha pode ser feliz.
realistas não são felizes.
Jamais ouse.
Quem ousa pode conseguir.
Pode realizar o impossível.
É proibido ousar.
Realistas não alcançam o impossível.
Jamais lute.
Quem luta pode mudar.
Se a luta é difícil e inconquistável,
o homem se expõe a derrota.
É proibido lutar.
Realistas não lutam.
Não vencem e não perdem.
É proibido sonhar.
É proibido ousar.
É proibido ser feliz.
É proibido viver.
Realistas não vivem
vegetam.
A noite busquei em meu coração
aquela a quem amo.
Busquei-a e não a encontrei.
Saí pelas ruas e pelas praças a buscá-la.
Busquei-a e não a encontrei.
Senti que algo em mim sucumbia.
a minha mente, toda a amplitude do meu espírito
que existiam apenas para amá-la
sentiam-se sem função.
E, apressadamente, continuei a buscá-la.
Ela, somente ela, poderia me fazer sentir vivo.
Busquei-a e não a achei.
Acharam-me os guardas que rondavam.
E perguntei-lhes :
“Vistes aquela a quem amo,
aquela a quem adoro por ser tão bela,
tão perfeita, tão talhada para ser venerada,
adorada e amada até a morte e a loucura?”
responderam-me: “Não.”
E lembrei-me do seu último beijo,
e percebi que era o mais doce de todos;
o último sorriso, sim, havia sido o mais luminoso;
o último movimento o mais gracioso.
e compreendi que a perdera.
E senti que a solidão se aproximava.
Me reconhecia e me envolvia.
E no meio da noite,
chorei desesperado,
sem alento, sem amor, sem nada.
Deixaste do caminho apenas rastro.
da vida, poucas lembranças.
Do amor, muito sofrimento.
Da felicidade meras esperanças.
Mas trilhaste o caminho dos outros;
na vida deles entraste.
Tiraste o amor que possuíam
e suas felicidades roubaste.
Fugiste pelo caminho
levando a tiracolo vida, amor, felicidade.
Deixando para trás apenas rastro.
Agora retornas pelo caminho
e exige que te devolvamos o teu rastro,
mas de volta não queres as lembranças,
o sofrimento e desgraça que trouxeste.
A
criança e o monstro
Lembras de quando eras criança,
de quando transparecia em teus
olhos a inocência,
de quando eras alheia às coisas,
alheia ao mundo.
Lembras daquela criança ideal,
cheia de sonhos, cheia de medos.
Diga-me agora:
O que sobrou da inocência em ti?
Não tenhas vergonha, diga-me.
sua resposta será igual a de todos,
será semelhante a minha.
Da criança nada restou.
A criança se foi.
O mundo a corrompeu.
O tempo a transformou
e a criança morreu.
Uma perda irreparável.
Uma permuta desonesta.
trocaste a criança pura, verdadeira
e humana por monstros.
Monstros sanguinários
que sempre querem mais e mais...
Monstros desumanos, chamados homens.
Choro pelas crianças que morrem,
que são sacrificadas para dar vida,
para dar lugar a monstros.
O pior de todos os inimigos é o traidor.
Sobre esta alma não deve advir clemência.
A pena mínima para tal é a morte,
única e exclusivamente a morte.
Nenhuma compaixão deve ter na execução.
Nenhum apoio deve ter no julgamento.
O traidor deve morrer de maneira fria,
dolorosa, lentamente.
Ele ousou te vender,
ele entregou ao mundo o seu íntimo segredo.
Traiu a sua confiança.
trairá novamente se tiver nova chance.
Aos traidores a morte.
Nada mais que a morte.
Vejo-te passar,
instantes dilaceradores,
momentos de extrema agonia.
Tenho vontade de saltar para ti,
de gritar para o mundo o que sinto,
de apagar toda a existência.
Vejo-te linda.
Com teus cabelos esvoaçando ao vento.
Cabelos que são cordas que me prendem.
Fazendo-me te amar alucinadamente.
Momentos de transe invadem o meu olhar.
Instantes de extremo delírio enchem a minha mente.
A mim quase se sobrepõe o sentimento.
Vejo-te retornar.
Meu Deus quanta dor não definida,
quanto sofrimento não localizado.
Enlouqueço-me constantemente,
perco todos os sentidos por tua causa.
Busco em ti o que te faz tão especial.
O que me torna tão vulnerável,
tão pouco racional.
Não há resposta.
Existe apenas uma voz no fundo
do meu ser.
Uma voz contínua e sobressalente
que diz apenas
QUE EU DEVO TE AMAR.
Olhos
de poeta
Olhe para esta gota d’água.
Esta gota que aos olhos de uma pessoa comum
é senão uma gota d’água,
perde alguma coisa aos olhos de um poeta,
que vê nesta gota a imensidão.
Vê a face da dor,
da dor convertida em lágrimas,
a dor que faz uma gota sair dos olhos,
que caracteriza um vencido,
que define um perdedor.
Vinte medida de dor gera uma lágrima.
Vê a face da noite que se finda.
Da noite que é a solidão, o silêncio, o nada.
O poeta vê o orvalho nasce,
que surge ao fim da escuridão tenebrosa.
Dez medidas de noite, de solidão, de silêncio,
de nada, gera uma gota de orvalho.
Vê, também, o inicio de um
novo alvorecer.
O crepúsculo de uma nova vida.
O inicio de um novo fim.
O dia que nasce com uma nova chance.
Nasce com o poder de mudança revigorado.
Cinco medidas de alvorecer gera uma gota
de esperança.
Uma gota d’água pode refletir o desespero,
a salvação, a felicidade.
Ela pode ser chuva, poder ser pedra,
pode ser espelho.
Ela pode inspirar poemas, pode matar homens,
pode salvar vidas.
Mas todo esse poder, toda essa força
não vem da gota d’água.
Esta gota pode até não existir,
mas ela pode ser terrível.
São os olhos do poeta.
Todo o poder emana dos olhos do poeta.