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Video do PCC mostrado na Globo |
Direitos Humanos é para classe dominante. É coisa de rico. Para criminosos, pobres, negros e demais minorias excluídas só existe Direitos Desumanos.
Policial denuncia execuções da Rota
O soldado P. se orgulha de trabalhar na Rota, a temida
tropa de elite da Polícia Militar paulista. Diz que gosta de tudo
correto, da abordagem de suspeitos à prisão de ladrões. Há mais de
cinco anos de Rota, P. já viu também muita coisa errada, que “tem de
parar”. Como policiais roubarem um carro e fazerem um atentado como
se fossem do Primeiro Comando da Capital para justificar a execução
de um ladrão.
Mais do que denunciar colegas, P. procurou o Estado para contar como
as coisas acontecem. Como uma parte dos policiais - “sempre os
mesmos” - faz as chamadas “derrubadas”, onde suspeitos são
escolhidos e executados. Depois os policiais encenam tiroteios e
roubos. Tudo para “arredondar” o caso.
Durante um ano, P. deu quatro longas entrevistas à reportagem. As
informações foram averiguadas e, em dois casos, serviram para
esclarecer crimes, levando à denúncia de policiais envolvidos ou
reforçando indícios contra suspeitos. Ele revelou, por exemplo, em
junho de 2006 o envolvimento de um comerciante na execução de dois
suspeitos em Guarulhos - meses antes de a promotoria denunciar por
homicídio quatro PMs da Rota e o comerciante, que emprestara um Audi
aos policiais para simularem um tiroteio. Em outros casos, os dados
básicos das histórias foram comprovados por boletins de ocorrência e
depoimentos de dois oficiais da PM. O resultado é um retrato de como
funciona um sistema ilegal, que o comando da polícia diz combater.
Foi a reação dos colegas aos ataques iniciados pelo PCC na noite de
12 de maio de 2006, uma sexta-feira, o motivo que levou P. a
desabafar. Dali até agosto, PMs mataram 104 suspeitos de pertencerem
à facção. A “contabilidade” do lado do PCC também foi sangrenta. A
facção matou 59 pessoas, 25 delas PMs.O relato de P. começa com uma
reunião interna da tropa:
ORDEM SUPERIOR
“O oficial disse que era preciso dar uma resposta. No sábado (13 de
maio) foram 9 (mortos). No domingo todo mundo entrou em forma de
novo . O oficial parabenizou o trabalho feito, falou que precisava
que se desse continuidade, que a tropa tinha entendido a mensagem,
que precisava repetir a dose. Aí teve 16 (mortos). Na segunda, disse
para maneirar um pouco e aí teve 8... Aí na terça, com o pessoal em
forma, ele (o oficial) chegou e disse: ‘Deu, tá bom.’”
- Com a tropa em forma?
“Em forma, com grito de guerra, grito de Rota e tal. Foi dado
garantia: não tem Proar (acompanhamento psicológico de PMs
envolvidos em ocorrências de risco), afastamento de rua e
transferência. Não teve nada.”
O TEATRO
P. conta um caso ocorrido na onda de ataques. Pela versão oficial,
quatro bandidos roubaram um veículo para fazer um atentado quando
foram surpreendidos. Dois morreram e dois fugiram. Mas a história,
segundo o soldado, foi diferente:
“Eram dois caras (os ladrões). (Os PMs) pegaram a caminhonete de um
amigo de um soldado. Puseram os dois na caminhonete enquanto o
oficial arrumou o fuzil, que já estava na base Aguiar (o quartel da
Rota, na Avenida Tiradentes) ... aí depois, o outro oficial, que é
irmão do tenente, arrumou os endereços e fez a carta (falsa relação
de alvos do PCC deixada com os suspeitos, assim como o fuzil). Na
hora da ocorrência, os dois marginais já estavam mortos no
porta-malas da viatura. Já estavam mortos. Foram dois PMs civil (à
paisana) que pegaram a picape para simular a perseguição, mas o que
quase deu errado foi que uma reportagem estava perto e começou a
filmar. Mas, quando a picape parou e começou aquele monte de tiro, o
pessoal da reportagem parou. Eles não chegaram perto. Aí foi o
seguinte: a reportagem mostrou alguma coisa, mas mostrou em
benefício (da PM), pois não viu realmente o negócio lá.”
- Os supostos fugitivos eram policiais de outra viatura?”
“É, de outra. É assim: duas ou três (viaturas) trabalham pra uma.
São três procurando os caras (suspeitos) enquanto a outra vai fazer
(executar).”
- Por que alguém empresta o carro para a encenação da polícia? O que
ele ganha?
“Pelo prazer de poder apertar (matar) o ladrão.”
O texto lido no Video do PCC
O texto lido nesse vídeo do PCC, certamente, foi escrito por um advogado. É um texto sensato, coerente e justo. Um texto que pede justiça e o cumprimento estrito da lei, assim como demonstra indignação contra normas inconstitucionais que violam frontalmente as garantias fundamentais, os direitos humanos.
Se esse texto tivesse sido lido pelo autor, na tribuna da OAB ou no Congresso Nacional, teria sido aplaudido. Afinal, estamos em um país onde impera a liberdade de expressão. Será ??? Enfim, o texto foi lido por um suposto criminoso do PCC em cadeia nacional na Rede Globo de Televisão. Isso depois do seqüestro de dois repórteres da emissora.
O texto foi lido e por causa disso muitas pessoas morreram. A leitura de um texto que pedia justiça e legalidade condenou a morte dezenas de pessoas. Foram executadas pela Polícia. Dizem que foi confronto. Um estranho confronto, pois a maioria morreu com tiros a queima roupa. Existe censura maior do que esta ?
A polícia do regime militar costumava prender e torturar os artistas subversivos. A polícia democrática mata os supostos bandidos subversivos que ousam pedir justiça e legalidade. Matar bandido dá ibope. Virou até número de candidato 111.
Ao invés de fazê-lo na calada da noite nos becos escuros da favela deveriam fazê-lo em estádio de futebol, durante o dia, transmitindo ao vivo pela Globo Internacional.
Eu não defendo facção criminosa e nem defendo a criminalidade. Defendo pessoas. Direito de pessoas que deveriam ser consideradas humanas, mas que não são. O discurso mentiroso e hipócrita é de direitos humanos, mas a prática nua e crua constitui uma guerra suja.
Matar pessoas desarmadas na calada da noite e a queima roupa é fácil. Principalmente quando existem 200 contra 10. Tão fácil quanto atirar em trabalhador cansado que está vindo do serviço. Tão fácil quanto dar pancada em estudantes desarmados na paulista.
Se é para ser uma guerra que as armas sejam iguais. A polícia tem 100 rifle snipe cal. 50, lança foguete, granada, etc. Ótimo, a outra parte também deve ter 100 rifle snipe cal. 50, lança foguete, granada, etc. A polícia tem bomba de efeito moral, gás de pimenta e armas que atiram balas de borracha. Ótimo, os estudantes também terão bomba de efeito moral, gás de pimenta e armas que atiram balas de borracha. Se é para ser uma guerra, que se declare a guerra, ao menos assim as convenções internacionais passam a reger o conflito. Talvez se fosse uma guerra declarada haveria menos mortos e mais justiça.
Um indivíduo preso, no máximo, tem o advogado do seu lado. Enquanto o Ministério Público tem a polícia do seu lado (milhares de agentes), tem peritos, tem investigadores e, muitas vezes, tem até o Juiz do seu lado. Não precisam nem de prova para condenar o indivíduo. É só assinar a papelada e encarcerar o meliante. E parar piorar, existem ainda os advogados picaretas que, ao invés de trabalhar para defender o preso, fazem corpo mole só para verem os réus se ferrarem. Fingem que trabalham. Fingem que defendem, mas só querem o dinheiro do condenado.
Todo mundo defende o Ministério Público e dizem que é um órgão essencial para a democracia. Tudo mentira. O Ministério Público é um órgão essencial para a proteção do Estado e da classe dominante. Não tem nada a ver com democracia.
Além disso, o Ministério Público foi criado pela inquisição. Como uma coisa criada pela inquisição pode ser boa ? Não pode ser. É um órgão que foi criado para condenar pessoas a fogueira, principalmente os mais fracos, os hipossuficientes.
O Ministério Público funcionaria se a outra parte tivesse um advogado à altura do promotor público. Com o mesmo diploma, os mesmos títulos, os mesmos conhecimentos, etc. Quando a outra parte tem advogados poderosos os Promotores Públicos falam fino, perdem logo na saída. Vejam o caso do Maluf. Vejam o caso do Nicolalau gatuno, etc. Os criminosos espertos já separam 30% da vantagem ilícita para pagar advogados top de linha.
Contudo, na maioria dos casos, a
outra parte é analfabeta e não tem advogado ou se tem o causídico é
semi-analfabeto. Nesses casos os promotores reinam absolutos.
Estufam a pança e pedem a pena máxima. Ganham fácil e condenam todo
mundo. Isso é democrático ? Há justiça nesse tipo de coisa ?