Banalidades e indiferença no mundo atual

Hannah Arendt e a banalidade do mal

A Holanda, lembra Arendt, foi o único país da Europa em que os estudantes entraram em greve quando professores judeus foram despedidos, e onde uma onda de greves operárias explodiu como reação à primeira deportação de judeus para os campos de concentração, principalmente de Sobibor.

Na Dinamarca, quando os alemães abordaram altos funcionários governamentais para que fosse possível a identificação de judeus por um emblema amarelo no braço, eles simplesmente responderam que nesse caso o rei também usaria a identificação e que se os alemães insistissem haveria uma imediata renúncia generalizada. Segundo Arendt, os nazistas recuaram e foram tratar de criar outros meios para perpetrar seus crimes na região.

Um aspecto muito exaltado por Arendt nessa obra, é a solidariedade e a capacidade de resistência à opressão – qualidades raramente encontradas naqueles tempos sombrios – mas quando elas aconteceram, como nos casos citados, os alemães recuaram.

"Quando [os nazistas] encontraram resistência baseada em princípios, sua 'dureza' se derreteu como manteiga ao sol. [...] O ideal de 'dureza', exceto talvez para uns poucos brutos semi-loucos, não passava de um mito de auto-engano, escondendo um desejo feroz de conformidade a qualquer preço, e isso foi claramente revelado nos julgamentos de Nüremberg, onde os réus se acusavam e traíam mutuamente e juravam ao mundo que sempre 'haviam sido contra aquilo', ou diziam, como faria Eichmann, que seus superiores haviam feito mau uso de suas melhores qualidades. Em Jerusalém, ele acusou 'os poderosos' de ter feito mau uso de sua 'obediência'" – ironizou Arendt. (Texto Completo)

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A nosso ver, a partir da experiência dos regimes totalitários, subsistiram elementos que, os quais parece, vieram para ficar. A própria Hannah ARENDT (Esprit, p.67) admite isso em 1953, quando afirma que elementos do pensamento totalitário hoje existem em todas as sociedades livres.

Antonio Abranches sobre isso diz: "Quanto ao totalitarismo, não se trata de um passado que já passou, do desvio acidental de um projeto histórico inacabado, ou de um peso morto que o tempo, por si mesmo, relegará ao esquecimento. A sobrevivência de 'elementos' totalitários em regimes não-totalitários continua a ser uma ameaça tão mais poderosa quanto mais recoberta estiver pelo esquecimento e pela subseqüente paralisação de um pensamento que se encontra impedido de começar a pensar."(ABRANCHES. Introdução - uma herança sem testamento, p.13.)

E Castoriadis, em 1985, falando sobre o regime russo: "Na verdade, o totalitarismo tem sido 'digerido' como uma coisa do passado, um assunto para sucessos de televisão ou exploração literária. A comercialização do passado serve, por assim dizer, para empurrar para o passado as possibilidades do monstruoso e para fugir da monstruosidade com que nos confrontamos hoje em dia." (CASTORIADIS. Os destinos do totalitarismo, p.9.).

Introdução -- O mal radical como ponto de partida -- A novidade totalitária -- A banalidade do mal: uma invenção contemporânea -- O vazio de pensamento

Eichmann em Jerusalém - Pós-escritos - Hannah Arendt

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Relatório Lugano

O que a autora compreendeu foi o modo como, para os neoliberais, tornava-se incontornável o problema da redução de população e, com ele, a discussão de estratégias para “resolver” a questão dos excluídos; ou seja, para falar com franqueza, a discussão de um processo de seleção que o poeta Heiner Müller qualificou certa vez como “limpeza social”, a partir das escabrosas experiências de “limpeza étnica”.

Mas a “solução” não poderia significar uma reabilitação de sistemas genocidas como o Holocausto, pois como dizem os especialistas do Relatório: “O modelo de Auschwitz é o contrário do que precisamos para atingir o objetivo. (...)

A seleção das «vítimas” não deve ser responsabilidade de ninguém, senão das próprias “vítimas”. Elas selecionarão a si mesmas a partir de critérios de incompetência, de inaptidão, de pobreza, de ignorância, de preguiça, de criminalidade, e assim por diante; numa palavra, elas encontrar-se-ão no grupo dos perdedores”.

Desentranhando a lógica do extermínio das políticas e das práticas neoliberais contemporâneas, Susan George desvendou a radicalidade do processo em curso e por isso chegou, em seus comentários finais, a uma conclusão cortante: “Ou declaramos guerra à pobreza agora, ou mais dia menos dias vamos nos descobrir em guerra contra os pobres. É essa a escolha”.

A exortação de George evocou em mim um comentário chocante de Gilles Châtelet que certo dia exclamou, num tom desesperado, a um grupo de intelectuais brasileiros: “Do jeito que as coisas vão, se vocês matassem os pobres do Brasil seria menos pior do que os horrores que vocês vão cometer contra eles”.

A observação surpreendeu os ouvintes, que conheciam o caráter radicalmente antifascista do filósofo francês; mas gravou-se como ferro em brasa em nosso espírito, porque sabíamos que ele evidentemente não estava defendendo o genocídio dos pobres mas apontando, por um lado, a criminosa e hipócrita face oculta das elites brasileiras, e por outro, o que considerava nossa inação. Meses depois, perdendo definitivamente a esperança no mundo, Châtelet suicidou-se...

Perigos  Controle  Impacto  Conclusões Metas

Pilares   A conquista e a guerra A fome Prevenção

A peste Quebra-cabeças In fine...

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